Polícia investiga suposto desafio para estuprar aluna de medicina na UFPR

Mensagens anônimas alertaram estudante sobre suposto grupo que planejava ataques; caso é investigado pela polícia, universidade abriu apuração interna e reforçou medidas de segurança após clima de medo entre alunas no campus.

Polícia investiga suposto desafio para estuprar aluna de medicina na UFPR

Mensagens anônimas alertaram estudante sobre suposto grupo que planejava ataques; caso é investigado pela polícia, universidade abriu apuração interna e reforçou medidas de segurança após clima de medo entre alunas no campus.

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29/04/2026 06:00 ‧ há 3 horas por Folhapress

Brasil

UFPR

(FOLHAPRESS) - Uma aluna de medicina da UFPR (Universidade Federal do Paraná) foi contatada por um número estranho no WhatsApp, sem foto e com o nome de Ghost (fantasma, em português). "Guria, fica esperta. Tem gente armando pra você!", dizia o interlocutor.

 

As mensagens seguintes foram uma série de prints de visualização única. Eles mostravam um grupo, na mesma plataforma, no qual homens supostamente faziam planos para estuprar a jovem.

Segundo aquela conversa, havia uma premiação de até R$ 400 para quem concluísse primeiro a meta. Nas mensagens, os homens dão detalhes a rotina dela e sobre já terem, inclusive, tentado encurralá-la para uma violência sexual em grupo. O material, que é investigado pela Polícia Civil, foi enviado pela própria jovem à reportagem.

A estudante não seria o único alvo. Os prints indicaram que haveria um esquema ainda maior. "Galera não tá brincando, faltam algumas minas de MED [medicina]", escreveu um dos participantes do grupo.

A história ganhou destaque na UFPR após o diretório acadêmico do curso torná-la pública em um aviso aos estudantes da instituição, no fim da semana passada. "Viemos aqui pedir para que tomem cuidado, não andem sozinhas e evitem sair sozinhas e evitem sair à noite", alertou a entidade.

Logo, o relato chegou à corregedoria da instituição, e a polícia foi acionada para investigar o caso.

A UFPR informa que tomou conhecimento das mensagens que circulam em grupos de estudantes a partir de uma denúncia grave envolvendo ameaça de violência sexual.

A instituição diz ter tomado medidas imediatas de acolhimento e orientação às pessoas envolvidas, além de acionar os setores responsáveis pela segurança institucional e pelo acompanhamento da comunidade universitária. Foi também instaurada investigação preliminar no âmbito da corregedoria para apuração de responsabilidade de membros da comunidade universitária.

"Infelizmente, tais acontecimentos refletem o status atual da sociedade em geral, marcado por um alarmante número de casos de violência contra as mulheres. Entretanto, a UFPR possui as instâncias adequadas para fazer o acolhimento e a apuração de tais incidentes, bem como para tomar medidas de prevenção", informa a gestão.

Segundo o assessor jurídico da universidade, Rodrigo Kanayama, o ponto da corregedoria é tentar identificar os envolvidos e saber se eles são ou não alunos da instituição para eventuais punições.

A investigação da Polícia Civil avançou pouco. Os números utilizados por membros do grupo eram provisórios e foram quase todos apagados. Buscas seguem sendo feitas.

CLIMA É DE MEDO ENTRE ALUNAS

No escuro. Sem informações. Assustadas. Assim as estudantes da Federal do Paraná descrevem seu sentimento após serem informadas sobre a denúncia.

Nos últimos dias, elas, membros de vários cursos na capital, têm se organizado em grupos para locomoção no campus. Muitas, inclusive, dizem temer ir às aulas.

A Polícia Militar foi oficiada pela UFPR a aumentar a segurança no campus em Curitiba. A instituição também diz que estuda medidas adicionais para proteger seus matriculados.

Como a Folha de S.Paulo mostrou, universidades federais e estaduais e os institutos federais do país vão passar por uma reestruturação para punir casos de violência contra a mulher com maior agilidade e acolher vítimas, prevê um protocolo articulado pelo governo do presidente Lula (PT).

Entre as ações previstas estão a inclusão do tema nos currículos de graduação e pós-graduação e o fortalecimento de ouvidorias e assessorias jurídicas. O prazo para implementar as medidas será de até dois anos, e a vigência do documento será de cinco anos.

Justiça condena jovem que armou estupro coletivo contra adolescente

O adolescente foi condenado à medida de internação, sem possibilidade de atividades externas por um período inicial de seis meses. Na sentença, a juíza escreveu “que a gravidade da infração e a falha da rede familiar em prover limites adequados justificam a medida extrema, visando à ressocialização do jovem e a preservação da ordem pública”. Mais quatro homens adultos também são investigados pela participação no crime.

Agência Brasil | 08:55 - 19/04/2026

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