Preço do petróleo sobe mais de 6% e é o maior em três semanas após novas ameaças de Trump

Indefinição em negociações e risco no fornecimento global fazem Brent ultrapassar US$ 111

Preço do petróleo sobe mais de 6% e é o maior em três semanas após novas ameaças de Trump

Indefinição em negociações e risco no fornecimento global fazem Brent ultrapassar US$ 111

© Shutterstock

29/04/2026 20:11 ‧ há 11 horas por Folhapress

Economia

Guerra

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A indefinição nas negociações entre EUA e Irã para encerrar o conflito levou o preço do petróleo a ter uma nova disparada nesta quarta-feira (29). O barril Brent, referência mundial, teve um aumento de 6,32% e chegou a US$ 111,50 (R$ 555,63), maior valor desde 7 de abril, quando foi negociado a US$ 111,80.

O contrato para entrega em julho abriu a sessão em torno de US$ 104, passou a subir às 3h30 (horário de Brasília) e atingiu o ápice às 14h, quando bateu em US$ 111,50. Às 15h, o Brent era vendido a US$ 110,23 (R$ 549,44), alta de 5,67%. O contrato de junho alcançou US$ 119,76 (R$ 596,79), mas ele é menos negociado que o acordo para julho, que tornou-se a referência do mercado.

Já o barril WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, chegou a US$ 107,65 (R$ 536,44) para entrega de junho, que é o contrato mais negociado para esse produto. O contrato de julho estava cotado a US$ 100,81, às 12h46.

As negociações reagiram às novas ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump, ao Irã para acabar com o bloqueio no estreito de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e gás. "O Irã não consegue se organizar. Eles não sabem como assinar um acordo não nuclear. Melhor eles ficarem espertos logo!", postou o republicano, nesta quarta, em sua rede Truth Social, ao lado de uma imagem criada artificialmente em que aparece de óculos escuros, com um fuzil e a mensagem: "O Senhor Bonzinho Acabou".

A reação de Trump ocorre um dia após o Irã uma nova proposta para um acordo de paz, na qual estabelece limites para manter o seu programa nuclear e o controle sobre o tráfego em Hormuz. Segundo o jornal The Wall Street Journal, o presidente dos EUA já teria instruído sua equipe para se prepararem para a continuidade dos ataques por um período prolongado.

A intenção do mandatário é manter a tática de estrangulamento da economia iraniana com a permanência do bloqueio aos navios que saem do Irã e tentem acessar o estreito de Hormuz. Com isso, os iranianos não conseguem exportar petróleo, perdem parte significativa de suas receitas e seriam obrigados a recuar de suas exigências, aceitando o que está sendo exigido pelos EUA.

O porta‑voz do Ministério da Defesa iraniano, Reza Talaei-Nik, afirmou que Washington "deve abandonar suas exigências ilegais e irracionais". "Os Estados Unidos já não estão em condições de ditar sua política às nações independentes", afirmou, segundo a televisão estatal do país.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, qualificou a oferta iraniana como "melhor" do que esperavam, mas questionou se as autores dela tinham autoridade para negociá-las, devido aos assassinatos de várias lideranças do regime local em ataques de Israel e EUA.

"Eles são negociadores muito bons", disse Rubio, acrescentando que qualquer acordo final deve ser um "que definitivamente os impeça de partir para uma arma nuclear".

BOLSAS CAEM NA EUROPA E SOBEM NA ÁSIA

As Bolsas da Europa fecharam em queda nesta terça, com os investidores atentos à indefinição das negociações de paz no Oriente Médio. O índice Euro STOXX 600, referência na União Europeia, caiu 0,6%, sendo seguida em Frankfurt (-0,31%), Londres (-1,16%), Paris (-0,39%), Madri (-0,62%) e Milão (-0,51%).

Nos EUA, os três principais índices também registram baixa. Dow Jones estava desvalorizando 0,62%, às 14h55, a S&P caía 0,14% e a Nasdaq perdia 0,21%.

Já as Bolsas na China tiveram performance oposta e foram impulsionadas pelo bom desempenho das ações de terras raras e empresas de baterias elétricas, que subiram mais de 5%. O índice CSI300, que reúne as principais empresas em Xangai e Shenzhen, avançou 1,1% e o SSEC, em Xangai, ganhou 0,71%. As Bolsas de Hong Kong e Seul também subiram 1,68% e 0,75%, respectivamente, enquanto Tóquio ficou fechado em virtude de feriado.

Leia Também: Fila do INSS cai para 2,6 milhões após atingir pico de 3,1 mi e levar à demissão de presidente

Partilhe a notícia